segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Algo a mais

Queria poder ser algo a mais
Uma cura, uma salvação, uma libertação
Algo em que pudesse suportar todos os pesos a serem depositados
Queria fazer a diferença, ser especial
Poder aliviar, amenizar, distrair
Como um porto seguro mesmo
Algo raro de se encontrar por aí
Talvez por isso não seja capaz de ser
Isso não é pra qualquer um
Algo que te livre do cansaço, do esgotamento, do tédio e da rotina
Queria poder ter essa capacidade
O prazer maior é ver alguém bem
Ser confiável, e algo em que se pudesse recorrer a qualquer momento, seja o que for
Mas como competir?
Se existem tantas coisas mais interessantes por aí...

Companhia e solidão

Eu nunca me senti tão sozinha como eu me sinto agora
Meu quarto nunca foi tão grande com está hoje
Meu choro de solidão nunca foi tão sincero como esse que caiu
A solidão nunca gostou tanto de mim como tá demonstrando agora
O travesseiro nunca foi tão meu companheiro como tem sido
O som da televisão nunca foi tão ajudante no silêncio que dói como tá sendo
A vontade de desistir nunca foi tão intensa
O medo de ser assim pra sempre bate como nunca antes bateu
E ai?
E aí que sou assim
Louca e só
Ninguém pra me ouvir
Ninguém pra me entender
Ninguém pra me abraçar e secar minhas lagrimas
Ou simplesmente dizer que tudo isso é drama demais pra uma menina que sempre foi tão alegre, e que tudo vai passar, pq esse alguém tá ali do meu lado, e isso importa
Ninguém enxerga por dentro
Ninguém quer saber
Ninguém se interessa pelo seu interior
Se coloca um sorriso na cara, mostra pras pessoas, e ja as convence
E o brilho nos olhos? Alguém para pra reparar?
Até quando?
Espero não ter que chegar ao meu extremo de solidão, se é que ele já não chegou
Sabe como é né, tenho medo de me acustumar a viver assim pra sempre, e para de tentar lutar pelo contrário.
Companhia e solidão, ainda quero ver diferença de significados nessas palavras.

Grampos libertadores

Vamos vivendo assim
Enfiando grampos sobre o corpo, sobre a pele, sobre a alma
E vê no que vai dar.
Não é assim que tem que ser?
Ninguém liga, ninguém se importa.
Você pode se mutilar inteirinho, que as pessoas só fazem pouco caso de  você da mesma maneira.
Vamos ferir, rasgar, jorrar sangue
Até que não sobre mais nada
Somente o fim
Somente a morte
E aí já será tarde demais pra alguém resolver se importar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Tudo e nada.

Tudo era assim,
Intenso, forte e misterioso.
Nada igual nem comparável a tudo que conhecia.
Tinha sim suas dúvidas, medo, neuras e inseguranças...
Mas quem não tem?
Tudo fazia parte de alguma coisa onde ninguém sabia onde ia dar, mas nem por isso deixava de ser algo em que queria tirar o melhor proveito possível.
Nada podia se perder, cada detalhe era analizado e aproveitado,
Seja ele bom ou nem tanto assim

Tudo nele era impecável.
Sua pele, pelos, olhos.
Eram como se fossem únicos daquele jeito, e sinceros como nada mais naquele momento.
Sinceridade com um ar de mistério,
Tudo que ela queria.
Nada ultimamente tinha a graça como o momento do encontro,
Dos olhos, bocas e corpos.
Era indescritível toda aquela troca, muitas vezes somente no silêncio,
Mas no silêncio também se diz e se descobre muita coisa

Seu corpo era transparente,
E como uma casa quente e aconchegante,
A qual encontrava abrigo e alegria.
E sempre uma vontade de voltar,
Pra fazer do nada um tudo.



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Feito pedra.

"Essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Uma tora. Um macho. (...) Sabe Zé, no começo doeu não sentir nada. Mas eu consegui. Eu não sinto nada. Nada. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé!? Sentiu o barulho de granito?"

Tati Bernardi

Dirigindo na chuva.

Pq a gente tem que entender de uma vez por todas que carinho e reciprocidade não se pede, nem muito menos se implora.
Até quando se contentar com algo que só vem quando solicitado, forçado, colocado contra a parede? Que graça que tem?
Nada como um dia após o outro...
Nada é igual, tudo está tão diferente. Só não percebe quem não quer.
E como falam, o pior cego é aquele que não quer ver. Cansei de não querer ver.
Foi-se o tempo que se achava um motivo pra se manter de pé e lutando. Mas quando não se vê mais, a queda é inevitável.
Chega uma hora que você se vê cega. E aí esfrega os olhos pra tentar enxergar alguma coisa que a faça continuar.
É como dirigir em meio a chuva forte. Você ta no carro embaçado, e não enxerga nada.... Faz de tudo, força a visão, limpa o vidro com as mãos, procura uma flanela, tenta abrir um pouco o vidro do carro mesmo que tome um pouco de chuva, mas não se importa com as gotas de chuva, pois ainda quer muito continuar dirigindo, mesmo sem saber odne aquela estrada vai dar. Mas chega um momento que você vê que a chuva não quer parar, e está longe de cessar, e aí então você percebe que o melhor é parar de dirigir. Mesmo querendo tanto permanecer naquela estrada, talvez fria, solitária, mas aconchegante na medida certa...

Foi-se o tempo...

É tão triste quando as coisas mudam diante dos seu olhos, e a principio por nenhum motivo aparente.
E o pior, é quando você não pode fazer absolutamente nada pra mudar aquilo.
Sempre soube que as pessoas e as coisas mudam a todo momento, mas achei que dessa vez seria diferente.
Não que nada nunca mudaria, mas que quando mudasse, haveria uma sinceridade, um diálogo, ou algo que marcasse a mudança
E não algo do jeito que está, perdido - no maior estilo, interprete como quiser, você sabe o que é melhor pra você.
Foi-se o tempo que eu via reciprocidade em alguma coisa.
Em que eu era considerada algo de bom, de diferente, de única em alguma coisa.
Em que eu era inspiração.
Em que eu era estímulo, e não somente físico, mas aquele estímulo que ajuda a pessoa a continuar a viver, e também viver melhor.
Em que eu era procurada, solicitada, em que eu fazia falta.
Em que as coisas eram sempre excitantes e empolgantes, tudo estava a flor da pele, e quando aquele momento de estar juntos acontecia, era tudo tão intenso pra aproveitar o melhor que se podia tirar dalí.
Em que mesmo achando que era tratada com indiferença as vezes, no fundo sabia que aquilo era somente um jeito diferente de lidar com as coisas. Hoje não, acredito mesmo nessa tal indiferença.
Tudo a troco de que? Eu preferia que tudo se perdesse de vez, do que algo continuar, mas no fundo, não restar mais nada.
Foi-se o tempo em que me sentia querida, especial, desejada...
O que sobrou? Nada, somente lembranças boas de momentos ótimos, e um gostinho de que tudo ainda poderia ser como sempre foi.
Já que está tudo tão diferente, e ja tentei ao máximo voltar a ser como era antes - ou até melhor. Ou então ao menos receber uma resposta pra tal mudança, e com isso colocar um ponto final nisso tudo, e não obtive êxito em ambas, o jeito é se adaptar, e tentar encarar isso com a maior naturaliadde possível e seguir em frente...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cansei de gritar e resolvi latir.

Como é horrível ser um animal. Um animal menininha. Usar vestidos, fazer as unhas, pintar os lábios, andar pisando leve. Por dentro, esse animal com fome, desesperado, selvagem, irracional.

Que bom dia que nada, cara. Que boa noite, que muito obrigada. Por que você não vem me amansar? Rasga o vestido da menininha, rasga.

Mata essa fome que eu estou de engolir seu ego, de te deixar perdido, de acabar com essa sua panca, essa sua distância.

Que se dane o esmalte falso das minhas unhas, eu que já guardei restos de células mortas da sua pele. Tira essa cor inventada da minha boca, esse tom estúpido de flor artificial. Faça ela ficar cheia de sangue vivo, entreaberta entre um grito e um riso. Tira esse meu andar leve e ereto, me entorta, me coloca do jeito que você gosta.

Que bom dia que nada, eu vou latir no seu ouvido se você achar que tem o poder de me magoar. Para que ferir meu coração se você pode ferir o meu útero? Para que dominar minha cabeça se você pode dominar o mundo pequeno e errado que eu inventei?

Eu que me faço de bem resolvida, por dentro são palpitações, são vozes de incentivo ao ataque, é calcinha de moça marcada por tanto desejo. Eu que um dia vou ter que ser mãe, que um dia vou ter que aprender a escrever. Eu que preciso ser levada a sério, preciso perceber que sou sozinha, preciso cuidar de mim. Eu que agora me atraso mais um pouco, sendo apenas instintiva.

Olhando você e só querendo correr de quatro até sua canela e morder toda a lógica dessa frieza.
Querendo te enfiar dentro de mim para preencher o vazio de ser incompleta.
Para sempre a vida me deve, e eu devo tanto a ela.
Querendo calar as batidas do meu coração ansioso com nosso atrito desesperado por minutos de paz.

Para sempre o silêncio, de quem não pode pedir, mas morre de desejo, de quem acaba de conseguir, mas morre de culpa.

Olhe para mim, me dá ração que eu estou morrendo. Olhe para mim, me deseje de novo porque eu estou murchando. Ou apenas venha me distrair, apenas esqueça todos esses poemas falsos.

Esqueça todas essas justificativas sofridas para uma simples vontade de deitar com você de novo.





Tati Bernardi

Querer.

Querer...
A gente quer tanta coisa né? Ser feliz, um amor, dinheiro, paz...
Eu não quero muito, eu quero o simples e o necessário.
Não quero que ninguém se prenda a sua vida a minha, caso isso não seja sua vontade. Até pq, não espero isso de ninguém. Sou louca, louca e só. Pois ninguém vai me aguentar. Já me convenci da possibilidade de morrer sozinha, com meus gatos, cachorros... enfim, um zoologico dentro de casa. Só eles me aturariam... os animais. Ou alguém disposto a ter um determidado tipo de relação diferente daquilo que as pessoas esperam que sejam.
Eu me contento em me sentir querida, desejada e até amada, sem ter alguém amarrado a mim.
Já tive o oposto, e não foi nada sincero. Quero sinceridade, mesmo que seja essse o preço que eu tenho que pagar para obte-la.
Só quero me sentir especial, não quero nada superficial.
Quero intensidade, abertura, intimidade.
Quero que alguém faça uma diferença na minha vida como ninguém nunca fez.
Quero poder ligar, mandar mensagem, xingar, bater, beijar, abraçar, fazer sexo, dormir de conchinha, fazer uma massagem, um carinho especial, um agrado, presentear, se preocupar, conhecer... E não somente fazer, pois fazer é muito fácil... É necessario abertura e reciprocidade nisso.
Sabe aquela pessoa que você sabe que não vai permanecer na sua vida pra sempre, mas tem certeza que será inesquecível pelas coisas que viveram e coisas q ela a fez sentir? É disso que eu to falando...
Tem coisa melhor, do que você saber que tem algum apoio, algum estímulo, e alguma motivação pra continuar na caminhada dessa doideira chamada vida?
E as vezes não é só amizade, é só uma relação diferente que você precisa...
Sem receios, sem máscaras, sem farças.
Somente ali, eu e você, sendo quem somos, e fazendo aquilo que temos vontades sem pensar no depois, ou em interpretações, seja de ambos ou de externos.
Desde sempre tudo foi diferente, e por isso excitante.
Não queria que a excitação fosse embora... Hoje só vejo o diferente ficando.
A vida é muito curta, e acredito sim que devemos fazer o que temos vontade hoje, pois não sabemos o dia de amanhã.
Mas não adianta quando tais vontades só vem de um lado né?
Mas é como falam, nem sempre querer é poder.

Dirigindo na chuva.

Pq a gente tem que entender de uma vez por todas que carinho e reciprocidade não se pede, nem muito menos se implora.
Até quando se contentar com algo que só vem quando solicitado, forçado, colocado contra a parede? Que graça que tem?
Nada como um dia após o outro...
Nada é igual, tudo está tão diferente. Só não percebe quem não quer.
E como falam, o pior cego é aquele que não quer ver. Cansei de não querer ver.
Foi-se o tempo que se achava um motivo pra se manter de pé e lutando. Mas quando não se vê mais, a queda é inevitável.
Chega uma hora que você se vê cega. E aí esfrega os olhos pra tentar enxergar alguma coisa que a faça continuar.
É como dirigir em meio a chuva forte. Você ta no carro embaçado, e não enxerga nada.... Faz de tudo, força a visão, limpa o vidro com as mãos, procura uma flanela, tenta abrir um pouco o vidro do carro mesmo que tome um pouco de chuva, mas não se importa com as gotas de chuva, pois ainda quer muito continuar dirigindo, mesmo sem saber odne aquela estrada vai dar. Mas chega um momento que você vê que a chuva não quer parar, e está longe de cessar, e aí então você percebe que o melhor é parar de dirigir. Mesmo querendo tanto permanecer naquela estrada, talvez fria, solitária, mas aconchegante na medida certa...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Feito pedra.

"Essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Uma tora. Um macho. (...) Sabe Zé, no começo doeu não sentir nada. Mas eu consegui. Eu não sinto nada. Nada. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé!? Sentiu o barulho de granito?"

Tati Bernardi

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Palavras sozinhas.

De que valem as palavras se não acompanhadas as atitudes?
Nada, simplesmente nada.
Somente pó, enganação, ilusão.
E sinceramente, palavras não me surpreendem mais , não me estimulam, nem muito menos me empolgam. Atitudes provam, demonstram, são claras e explícitas, respondem perguntas.
Palavras? Soam falso, enrolam, resolvem algo momentaneamente... Mas e depois?
Palavras não me interessam, não se estiverem sozinhas.
O que quero mesmo são atitudes.
Mas é algo extinto, então o jeito é ao menos tentar se conformar com as palavras sozinhas...
Na falta de opção, a gente tenta se adaptar a realidade.

domingo, 16 de outubro de 2011

De sujo somente a frauda.

É triste crescer, é triste ver que a cada dia que passa, se fica mais distante da infância, a melhor parte da vida.
Crianças são limpas, sao claras, são sinceras.
Se elas não quiserem cumprimentar, não cumprimentam, se não quiserem beijar não beijam, nem abraçar, nem serem educadas, nem fazerem cerimonia, msm q isso deixem seus pais furiosos ou cheios de vergonha.
Elas são assim, e talvez por isso se tornam as criaturinhas mais fascinantes do mundo.
O tempo passa, as crianças crescem, e viram um amontoado de merda, que só fazem merda e buscam merda.
Pq crescemos? ou melhor, pq mudamos?
Pra isso não existe uma resposta... Só me resta aceitar a idade que cai sobre mim a cada dia, mesmo que isso pese e incomode.