quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Faz de conta

Todas as noites ela esperava por ele
Como uma fuga, um abrigo, um aconchego
E mesmo que ele não viesse
Ela fazia questão de fazer de conta
Desenhando seu corpo sobre a cama
E colorindo com tato, olfato e paladar
Pegava o lápis e colocava as mãos dele em sua cintura
Sua língua em sua boca
Seu cheiro em seu nariz
E a imaginação rolava solta
Abusando do poder de colocar cada detalhe em seu devido lugar
Do jeito que mais gostava
A borracha alí só servia para apagar ela mesma
Suas imperfeições e principalmente sua mente que não se calava
Ele era todo intacto
Somente retocado, ou colorido
Mas seu traço inicial se mantinha
Era bonito daquele jeito
E nenhuma mudança trágica era necessária
Somente alguns pequenos ajustes
Nada que uma boa imaginação não saiba fazer
Ah, como queria ser como ele...

Brincando e fazendo de conta que nunca estava sozinha de verdade
Mesmo longe, ele estava presente
E sua presença, seja em corpo ou imaginação
Lhe fazia corajosa, viva, inspirada
E renovava a vontade de sempre voltar praquela casa
Onde era acolhida com simplicidade
Mas com um luxo disfarçado

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