Ela era solitária demais
E só queria uma companhia pros dias frios, chatos e entediados
Sem muito esforço, e nem precisar solicitar
Vir assim, naturalmente
Como se aquilo ja fizesse parte de algo onde se faz sem nem perceber
Ele sentava na beira da cama, e constuma lhe dizer coisas engraçadas
Talvez não para outros
Mas pra ela era como se estivesse num stand up comedy
E não conseguia entender da onde que vinha tanta sintonia, em meio a tantas diferenças
Ao brincar com seus dedos do pé, parecia que estava isolada de tudo e todos
E só aquele momento bastava
Não gostava da maneira como dormia rápido, como se estivesse sempre bebado e sem dormir a dias
E como se não tivessem nada melhor pra fazer
Os dois ali, tanta coisa melhor pra se fazer... e ele apagava.
Mas adorava poder observa-lo dormir
Seja a noite, ou ao amanhacer
Pois sempre acordava, e ele ainda estava dormindo
Como um urso hibernando
E ela alí, querendo tudo, menos dormir
Dormir era perda de tempo demais pro pouco tempo que eles tinham juntos
Mas era lindo dormindo
Até suas olheiras eram lindas
Podia dizer e desenhar detalhadamente cada curva do seu corpo
Cada pinta ali presente
Pois adorava observa-las e interpreta-las
Cada pelo, cada cheiro
Eram todos detalhes que não passavam despercebidos
E ele nem imaginava...
Falava pouco, e por isso no momento em que parava para falar
Fazia questao de prestar atenção, e não deixar passar nenhuma sílaba
Suas palavras era ótimas de se ouvir
Mas seu silêncio também
Aquele silêncio que diz, mas não diz.
Não gostava de sua maneira de nunca se expressar com nada
Mas ao mesmo tempo gostava de um mistério
E de ficar tentando entender cada gesto e cada palavra que dele vinha
Gostava da maneira sutil e delicada com que demonstrava algumas coisas
Claro que, sem perceber
Pois se percebesse, não o faria
E muitas vezes aquilo poderia ser o suficiente
Tinha momentos e momentos
E ela tinha que aprender a lidar com aquilo, caso quisesse continuar naquela relação
Ela achava que era de lua, bipolar
Mas ao conhece-lo, viu que estava enganada com a definição que pra ela tinha atribuído
Era um desgate muito grande tudo aquilo
Mas a fazia bem, se sentir viva
Vontade de decifrar, e acertar
Vontade de dar o seu melhor
Mesmo se aquilo não fosse o suficiente, ou interessante
Não tinham intimidade
Ele não sabia seu filme preferido
Nem ela sabia a música que ele mais gostava
Mas quando estavam juntos, parecia que sabiam tudo um do outro
E que se conheciam a anos
Odiava quando a ignorava, fazendo a achar ser de propósito
Mas adorava a maneira que ele tomava banho e ela podia observar de costas sua bunda
Odiava quando ficava muito tempo sem ir ve-la
Mas adorava quando ia embora cedo de manha e lhe dava um beijo no rosto junto de um "to indo"
Odiava ele roubar o lugar dela da cama virado pra parede, e a janela do onibus
Mas adorava poder ser capaz de abrir mão disso
Odiava quando ele pedia pra ela calar a boca pois ele queria dormir ou ouvir a TV
Mas adorava o fato dele sempre procurar ela durante a noite, e abraça-la
Odiava quando ele tinha seus momentos nulos, onde não falava nada, nao conversava, nem se interessava
Mas adorava quando dava ums surtos nele, onde ele expressava, mesmo que sutilmente, o quanto ela era pra ele. Eram raros os momentos, mas ela precisava daquilo, como um combustível.
Odiava quando ele deixava ela na vontade
Mas adorava quando ele resolvia mata-la do jeito que ele sabia fazer, mesmo que as vez não fazia
E no meio a tantos gostos e desgostos
Ela não cosneguia deixar de se enrolar na linha do novelo que ele ia soltando, somente soltando... E ela girando.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário